O poder do reenquadramento: o primeiro passo para inovar sem errar o alvo

Antes de buscar soluções repense o problema

No dia a dia de quem empreende, é comum partir direto para a solução. Surge uma ideia, um incômodo no negócio ou um feedback isolado de cliente e, rapidamente, começam as tentativas de resolver. O problema é que muitas dessas soluções até são bem executadas, mas nem sempre resolve o problema certo.

É por isso que, dentro do Design Thinking, existe um passo inicial: o reenquadramento do problema. Ele não tem a ver com criatividade ou brainstorming, mas com clareza. Trata-se de parar, organizar o pensamento e questionar se o que você acredita ser o problema, realmente é.

Antes de investir tempo, dinheiro e energia em qualquer inovação, o reenquadramento ajuda o empreendedor a garantir que está mirando no ponto certo.

O que significa reenquadrar um problema

Reenquadrar é revisar as premissas do negócio. É separar opinião de fato. Na prática, isso significa responder perguntas simples, mas que raramente são feitas no início de um projeto.

Muitas vezes, o empreendedor parte de crenças como: “meu cliente quer isso”, “esse é o principal problema do mercado” ou “essa solução faz sentido”. O reenquadramento existe justamente para testar essas afirmações antes de tratá-las como verdades.

Dentro do Design Thinking, esse processo acontece antes ou junto da definição do problema. Ele funciona como um filtro de qualidade, evitando que a empresa avance baseada apenas em achismos.

Reenquadramento não é teoria, é ferramenta de decisão

Para pequenos e médios empresários, o reenquadramento é especialmente importante. Diferente de grandes empresas, errar o foco pode custar caro. Um produto mal direcionado, um serviço que ninguém valoriza ou uma funcionalidade desnecessária consomem recursos que fazem falta no caixa.

Quando você reenquadra o problema, passa a tomar decisões com mais consciência. Não porque tudo está validado, mas porque fica claro o que você sabe, o que você supõe e o que ainda precisa descobrir.

Essa clareza muda completamente a forma como o negócio avança.

Perguntas que ajudam a reenquadrar o problema

O reenquadramento acontece por meio de perguntas. Não são perguntas complexas, mas precisam ser respondidas com honestidade.

1. Sobre o problema

O primeiro passo é olhar para o problema que você acredita estar resolvendo:

  • Qual é exatamente o problema que queremos resolver?
  • Como sabemos que esse problema realmente existe?
  • Quais informações estamos assumindo como verdade sem ter certeza?

Essas perguntas ajudam a expor onde existem fatos e onde existem apenas suposições.

2. Sobre o cliente

Outro ponto crítico é o entendimento do cliente:

  • Quem acreditamos que é nosso cliente ideal?
  • Por que acreditamos que esse perfil faz mais sentido?

Muitas vezes, o público real é diferente daquele imaginado no início. Reenquadrar evita que o negócio seja construído para um cliente que não existe ou que não valoriza a solução.

3. Sobre a solução

Aqui está um dos maiores riscos para quem empreende: se apaixonar pela própria ideia.

  • Por que acreditamos que essa solução é adequada?
  • O que estamos supondo que o cliente quer?

Essas perguntas ajudam a separar o que é essencial do que foi criado apenas porque parecia uma boa ideia internamente.

4. Sobre suposições e incertezas

Nem tudo que parece certo realmente é.

  • Quais suposições estamos fazendo sobre o mercado?
  • O que estamos tratando como certeza, mas ainda não foi validado?

Identificar essas suposições cedo reduz o risco de decisões erradas lá na frente.

5. Sobre o próprio time

O histórico de quem está envolvido no negócio influencia diretamente as decisões:

  • De onde vem nossa percepção sobre esse problema?
  • Experiências passadas podem estar influenciando demais nossas escolhas?

Reconhecer esses vieses ajuda o time a ser mais objetivo.

6. Sobre outras formas de enxergar o problema

Por fim, vale ampliar o olhar:

  • Que outras interpretações esse problema pode ter?
  • Como um concorrente descreveria essa situação?

Esse exercício simples costuma revelar pontos cegos importantes.

Organizando tudo: dúvidas, suposições e certezas

Depois de responder às perguntas, é comum ter muitas informações soltas. Para organizar isso, uma ferramenta simples funciona muito bem: separar tudo em três grupos.

  • Dúvidas: o que você não sabe e precisa descobrir.
  • Suposições: o que você acredita ser verdade, mas ainda não validou.
  • Certezas: o que você sabe com base em dados, fatos ou experiências comprovadas.

Essa organização ajuda o empreendedor a visualizar onde estão os maiores riscos do negócio.

Como isso ajuda nas próximas decisões

Quando dúvidas, suposições e certezas estão claras, o caminho fica mais lógico:

  • As dúvidas orientam pesquisas e conversas com clientes.
  • As suposições indicam o que precisa ser testado primeiro.
  • As certezas servem de base para construir soluções.

Em vez de avançar no escuro, o negócio passa a evoluir com mais intenção e menos desperdício.

Reenquadrar é evitar retrabalho

Reenquadrar o problema não é perder tempo. É evitar retrabalho. É garantir que o esforço do empreendedor está direcionado para algo que realmente faz sentido para o cliente e para o negócio.

No contexto do Design Thinking, esse é o primeiro passo justamente porque define todo o resto. Quando o problema está bem entendido, as soluções tendem a ser mais simples, mais eficientes e mais conectadas com a realidade do mercado.

Para quem empreende, reenquadrar é uma forma prática de reduzir riscos antes de apostar alto.

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